Codó se despede de Bita do Barão

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A população de Codó foi às ruas se despedir do Mestre Bita do Barão. Às 17h30 de sábado (20) o corpo de Wilson Nonato da Silva deixou para trás a Tenda Espirita Rainha de Iemanjá, na rua Rui Barbosa, 290, para nunca mais voltar. Entre cânticos e lágrimas, dezenas de pais, filhos, netos e bisnetos de Santo se despediram do pai de Santo mais famoso do Brasil. A grande maioria, pessoas pobres de comunidades descendentes de quilombolas de Codó, de outros municípios maranhenses e fies da umbanda.

Movimento de pais, filhos, netos e bisnetos de Santo na tenda espírita Rainha Iemanjá foi grande no sábado

“Que Olorum o receba”, disse Biné , presidente da Federação de Umbanda e Culto Afro-Brasileiro do Maranhão. Em clima acima de 40 graus, pais de santos disputavam o espaço no interior da Tenda onde ocorreu o Tambor de Choro, ritual de despedida para o Pai de Santo, dois dias depois do velório realizado no Palácio de Iansã.

No interior da casa prevaleceu o tom branco das roupas e a tez dos descendentes de quilombolas, gratos aos trabalhos recebidos nas consultas grátis das quartas-feiras, quando Mestre Bita abria as portas aos pobres. São esses os crentes ao pai, de Santo. A ausência dos poderosos da política estadual e da apresentadora de tevê Xuxa Meneghel foi o assunto que dividiu as conversas durante todo o velório.

Políticos codoenses aproveitavam a brecha para a contumaz caça aos votos. O prefeito da cidade Francisco Nagib, filho do poderoso empresário FC Oliveira, ofereceu a Brigada de Incêndio da empresa para fazer o translado do corpo até o Cemitério Central. Não deu certo, mas expôs a marca da empresa decorada com as coroas fúnebres e abrindo caminho com estridente sirene. Nem precisava, durante o percurso a população aguardava para finalmente crer que Bita Morreu. Biné Figueiredo, ex-prefeito que luta para retomar o poder na cidade, dava a mão ao mundo.

Sucessão

“O que é sagrado não se revela”, filosofava o pai de santo piauiense Antonio Cruz ou Antônio do Ogum. Autodenominado liderança das comunidades do terreiros, desde 15 anos de idade entrou em contato com o mestre. A impaciência do pai de santo é sobre o questionamento de como se dará a sucessão.

Será decidida por um conselho, formado por pessoas diretamente ligadas ao Terreiro. Entre as conjecturas predominantes, a filha Janaína Nonato, mãe pequena da Tenda comandada por décadas por Bita do Barão, seria o nome mais apropriado para sucedê-lo. Mas há muito mais mistérios na sucessão do império do Mestre Bita do Barão de Guaré que as vãs filosofias.

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